Nota do Observatório das Violências Policiais e dos Direitos Humanos sobre o assassinato de Marielle Franco


Marielle Franco


O Observatório das Violências Policiais e dos Direitos Humanos (OVP/DH) vem juntar sua voz aos protestos pelo assassinato de Marielle Franco, na noite do 14 de março de 2018, no bairro Estácio, no Rio de Janeiro. Vereadora pelo PSOL, uma das mais votadas em 2016, nascida no complexo da Maré, socióloga da PUC-RJ, e autora do mestrado intitulado UPP – a redução da favela a três letras: uma análise da política de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro, Marielle uniu sus vivência e sua ciência na defesa dos negros e negras, favelados, pobres, vítimas da desenfreada violência policial.

À semelhança de centenas de milhares de lideranças de movimentos sociais assassinados por todo o país, Marielle atuava exatamente como se espera que todos o façamos em um Estado que se pretende democrático de direitos: enquanto mulher, negra, advinda da favela, representava mais do que um mandato parlamentar de um partido, o PSOL, à qual era filiada. Representava a esperança de que é possível, apesar de tudo e de todos, “chegar lá”.

Seu assassinato estampa a violência institucional resultante de políticas públicas a serviço da perpetuação da lógica excludente, racista, cometedora de abusos de legalidade e graves violações de direitos humanos. Pois tal violência se abate quotidianamente contra líderes dos segmentos sociais que ousam denunciar a barbárie a que se vêm submetidos, não apenas pela condição de excludência social, econômica, racial, de gênero, mas exatamente porque exercem seu direito de ser cidadão.

Exigimos que esse crime seja rigorosamente apurado. Seu assassinato ocorreu poucos dias depois de ela ter feito denúncias sobre graves violações da PM carioca na favela Acari. É isso tem que ser objeto da investigação. A quem interessava calar essa voz?

Esperamos que tal tragédia sirva para unir ainda mais as forças contra a impunidade e que a omissão das autoridades ante as denúncias de inúmeros(as) líderes que sofrem quotidianamente ameaças à própria vida ou à de seus(suas) filhos(as), exatamente por defenderem aquilo que a lei apregoa: um estado democrático de direitos.


São Paulo, 15 de março de 2018



 


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