Em 2006 o Observatório das
Violências Policiais-SP
(www.ovp-sp.org)
foi integrado ao Centro de
Estudos de História  da
América Latina (CEHAL)- Núcleo
Trabalho, Ideologia e Poder,
da PUC-SP
(Pontifícia Universidade Católica)

Sitio Premiado - Selo Direitos Nota 10 - DHnet

 

Pesquisar neste sítio

 


Baixe para ler em pdf

 



Novo chefe da Rota atuou em massacre do Carandiru
Fonte: Folha de S. Paulo
23.11.2011

Tenente-coronel estava em andar onde maioria das 111 vítimas foi morta em 1992

Oficial afirma que episódio foi 'resultado do confronto entre detentos e policiais' e que cumpriu seu dever

André Caramante

O governo Geraldo Alckmin (PSDB) nomeou um dos 116 acusados do massacre do Carandiru, em 1992, para comandar a Rota, espécie de tropa de elite da PM paulista.

O tenente-coronel Salvador Modesto Madia, 48, substituirá o coronel reformado Paulo Telhada, que comandou a tropa de 2009 até a sexta passada, quando se aposentou.

Essa será a terceira passagem de Madia pela Rota -a primeira em que estará no comando de todo o batalhão.

As duas primeiras foram de 1986 a 1988 e de 1991 a 1993. Nesta última, participou como tenente da operação que deixou 111 presos mortos no pavilhão 9 da Casa de Detenção, no Complexo do Carandiru, zona norte da capital.

Madia integrava um grupo de PMs que entrou no segundo andar do rebelado pavilhão 9, onde 78 presos foram mortos. O grupo do qual fazia parte o novo chefe da Rota responde por 73 mortes -seu caso ainda não foi julgado.

Madia já comandou dois batalhões da PM na zona sul e a divisão operacional do Estado Maior do Comando de Policiamento de Choque da Capital, que agrega a Rota.

Nascido em Sorocaba (99 km de São Paulo), vai completar 30 anos de PM em janeiro.

Questionado sobre a participação no massacre, o tenente-coronel disse que o episódio de 1992 foi "resultado do confronto entre detentos e policiais". "Cumprimos o nosso dever", disse à Folha.

O oficial disse ainda que seu maior orgulho na PM é trabalhar como "agregador".

Ao assumir a chefia da Rota, um batalhão com 820 PMs, Madia disse ontem ter a intenção de "dar prosseguimento ao bom trabalho de seu antecessor, Paulo Adriano Lopes Lucinda Telhada", de quem é amigo próximo.

'LADRÃO MORTO'

O ex-chefe da tropa tem 33 anos de PM. No período, ele afirma ter matado 36 criminosos que resistiram à prisão.

Telhada usa o bordão "ladrão bom é ladrão morto".

Levantamento publicado ontem pelo jornal "Agora", do Grupo Folha, mostra que os casos de "resistência seguida de morte" com PMs da Rota aumentaram 63,16% durante a gestão de Telhada.

O comando da PM diz que o aumento das mortes ocorreu porque a Rota passou a atuar mais, o número de prisões cresceu 150% e, consequentemente, os casos de resistência e morte também.

Agora, Telhada deve seguir carreira política. A Secretaria da Segurança Pública diz desconhecer tal pretensão.



'Carandiru é coisa do passado', afirma secretário de Segurança
Fontr: Folha de S. Paulo
23.11.2011


Responsável pela nomeação do tenente-coronel Salvador Modesto Madia para chefiar a Rota, o secretário da Segurança Pública paulista, Antonio Ferreira Pinto, disse que o fato de o oficial ser um dos réus no processo pelas 111 mortes no massacre do Carandiru não tem nada a ver com sua atuação à frente da tropa especial da PM.

"O [massacre do] Carandiru é coisa do passado. Não podemos julgar alguém por algo que aconteceu há quase 20 anos e ainda depende de decisão da Justiça. Isso não tem nada a ver com a realidade hoje", disse o secretário.

Segundo Ferreira Pinto, a escolha do tenente-coronel Madia para comandar a Rota obedeceu a critérios técnicos e de antiguidade dentro da Polícia Militar paulista.

"Ele era o oficial mais antigo à disposição e com conhecimento sobre como é a maneira especial de a Rota fazer seus trabalhos", disse.

Para o secretário, caso sua escolha tivesse sido por algum outro oficial que não tivesse ligação com o Batalhão de Choque, que agrega a Rota e a Cavalaria da PM, haveria descontentamento por parte dos comandados.

Ferreira Pinto citou o nome de outros oficiais da PM que, ao longo dos últimos anos, mesmo réus no processo do Carandiru, também foram promovidos.

O secretário lembrou dos casos dos coronéis Gerson dos Santos Rezende, que comandou a Polícia Rodoviária, e Arivaldo Sérgio Salgado, que atuou como chefe de gabinete do Comando da PM.


Ubiratan foi o único julgado pelas mortes
Fonte: Folha de S. Paulo
23.11.2011

Dezenove anos após o maior massacre da história ocorrido em uma penitenciária do país, somente um dos réus, o coronel Ubiratan Guimarães, foi julgado.

O coronel da PM chegou a ser condenado a 632 anos de prisão pelas mortes de 105 dos 111 detentos do Carandiru, mas foi absolvido em 2006, após um recurso. Não ficou um dia preso.

Ubiratan foi morto em setembro daquele ano. A então namorada do coronel, a advogada Carla Cepollina, foi acusada pelo crime, embora sempre tenha negado envolvimento no caso.

 

Rua Monte Alegre 984 - Perdizes -  Prédio Novo - 4º andar - Bloco A - Sala 4E08 - CEP 05014-901 - São Paulo - SP