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PMs acusados de matar jovem com lança-perfume são julgados em SP
Fonte: Folha On-Line - São Paulo
28.02.2012


André Caramante

Seis policiais militares que atuavam na região de Itaquera, zona leste de São Paulo, serão julgados no próximo dia 1º em um processo no qual são acusados de matar Marcos Paulo Lopes de Souza, 18, após obrigá-lo a beber lança-perfume.

O crime, segundo Ministério Público Estadual, Polícia Civil e Corregedoria da Polícia Militar, ocorreu em 10 de novembro de 2008 e foi revelado pela Folha. O julgamente será no 4º Tribunal do Júri, no fórum Criminal da Barra Funda, zona oeste de SP, e está previsto para começar às 13h30.

Serão julgados os PMs Carlos Dias Malheiros, 39, Claudio Bonifazi Neto, 29, Jorge Pereira dos Santos, 45, Rafael Vieira Junior, 30, e Rogério Monteiro da Silva, 32.

O lança-perfume é uma droga composta por éter, cloreto de etila, clorofórmio e essência perfumada, bastante usada entre os adolescentes para obter sensação de entorpecimento.

Ela destrói células do cérebro e pode levar o usuário a ter desmaios ou, em caso extremos, até a morte após parada cardíaca, segundo o toxicologista Anthony Wong.

Caso ingerido, pode acelerar a freqüência cardíaca. A pessoa submetida a um grande esforço físico após a ingestão sofre os efeitos potencializados. Souza, segundo a acusação, foi obrigado pelos PMs a correr.

Duas testemunhas narraram aos investigadores da Polícia Civil que Souza estava acompanhado de outro jovem, que ficou um tempo desaparecido e foi encontrado com vida.

Pelo relato, os dois cheiravam lança-perfume numa rua a poucos metros do prédio onde estão o 103º Distrito Policial (Cohab 2 Itaquera) e a 7ª Seccional Leste, quando um carro Blazer da PM, com a inscrição "Tático Móvel", os abordou.

Segundo uma testemunha, após ter sido liberado, o rapaz que acompanhava Souza passou a correr desesperadamente e a gritar que os PMs haviam os obrigado a beber lança-perfume, os ameaçaram de morte e os obrigaram a correr. Souza recebeu os primeiros socorros de um morador do conjunto de prédios da rua. Ele tinha a pulsação fraca.

Minutos após Souza ser obrigado a beber o lança-perfume, policiais civis do 103º DP foram chamados para ajudar no socorro, mas ele chegou morto ao hospital. O corpo do jovem não tinha sinais aparentes de agressões.

A principal testemunha da abordagem policial revelou aos policiais do 103º DP que os PMs o ameaçaram.

Ao ser levada por dois oficiais da PM para uma sessão de reconhecimento no 39º Batalhão, a testemunha relatou que PMs disseram para ele tomar cuidado com o que iria dizer para não ter o mesmo fim que Souza.

A reportagem não localizou os advogados de defesa dos seis PMs. Eles sempre negaram ter obrigado o rapaz a beber o lança-perfume.

 

 

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