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'Pegou fogo na minha filha', diz mãe de menina ferida por bomba da PM
Fonte: A Tribuna - Santos
12.03.2012

Sabrina está internada e passará por cirurgia

A menina de 7 anos que ficou ferida durante uma manifestação em Carapicuíba, na Grande São Paulo, neste domingo, teve queimaduras nas pernas após ser atingida por uma bomba de efeito moral da Polícia Militar, segundo sua mãe, Maria José Lopes da Silva, de 37 anos. A mulher contou na manhã desta segunda-feira que o vestido e as pernas de sua filha Sabrina Amaro da Silva pegaram fogo, e que elas apenas passavam pelo local da manifestação quando foram atingidas.

A confusão aconteceu após a chuva deste domingo inundar casas na Avenida Marginal, em Carapicuíba. Moradores colocaram os móveis danificados pela enchente na rua e atearam fogo. Maria voltava da casa da irmã com as duas filhas, Sabrina e Aline, de 16 anos, quando viu a manifestação. Ela parou para olhar, e quando saía do local, houve a ação da polícia.

“A gente parou e viu o pessoal colocando fogo. Quando demos as costas para vir embora só ouvi a explosão, de repente veio algo por cima da minha filha, explodiu e pegou ela. Era uma bomba, pegou fogo. Aí minha outra filha falou ‘mãe, pegou a Sabrina. Quando eu fui ver a roupa dela estava pegando fogo, quando eu coloquei ela no colo eu viu o ferimento nas pernas, muito feio, muito fundo, queimou a carne. Pegou fogo na minha filha”, contou.

Maria José correu com as filhas para a casa de uma vizinha, assim como os manifestantes. “Teve outro estrondo, o pessoal começou a gritar que tinha criança ferida, um policial pegou ela no colo, colocou no carro e a gente a levou para o hospital”, afirmou.

A mãe foi até a delegacia que registrou o caso para prestar depoimento, incluído no boletim de ocorrência. Segundo ela, o delegado responsável requisitou exame de corpo de delito – entretanto, isso só será possível depois que a menina deixar o hospital.

Nesta manhã, Sabrina estava internada no Hospital Nossa Senhora de Fátima, em Osasco, e aguardava transferência para outra unidade do convênio da família, onde passaria por um procedimento cirúrgico. “Ela vai ter que fazer um enxerto, e o médico disse que se precisar vai ter que fazer uma plástica”, contou Maria José.

Segundo a mãe, Sabrina se manteve forte o tempo inteiro, e não tem reclamado de dor. “Ela ficou me acalmando, ela dizia ‘não foi nada não, não me arranhei não’. Ela só está com medo de fazer cirurgia, mas está mais forte do que eu.”

O comando da Polícia Militar informou que vai apurar o uso das bombas de efeito moral na operação.


 


 

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