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Violência policial: uma realidade execrável
Fonte: Última Instância, São Paulo
18.03.2012


João Ibaixe Jr.

Um dos aspectos principais de combate à criminalidade, por óbvio, é contar com um sistema policial de segurança eficaz. Quando se trata de criminalidade violenta, isto significa que policiais devem ter o preparo adequado para situações de confronto. Para dizer claramente, devem ter a postura e a conduta mais acertada para enfrentar conflitos em que o agressor esteja armado. Em síntese, eles têm de ser treinados.

Somente a formação mediante treinamento constante permite ao policial a acuidade para agir bem quando colocado diante de uma ocorrência na rua. O exercício diário de técnicas de abordagem é uma exigência da função, aliada a estudos teóricos referentes a essa matéria e outras correlatas, tais como noções sobre armamento e tiro, técnicas perseguição, técnicas de defesa, enfim, o conjunto dos conhecimentos necessários para que o policial possa trabalhar nas ruas em que cidadãos passam para ir ao trabalho e para se distrair.

O policial jamais pode esquecer que em sua difícil tarefa ele lida diuturnamente também com pessoas de bem, com indivíduos que se esforçam por uma vida melhor, inconscientes, muitas vezes, dos problemas sociais que invisíveis os cercam. O policial tem de saber ser cortês, tem de agir com civilidade e não pode jamais ser truculento. Tem de saber equilibrar a força e a brandura.

Recentes acontecimentos noticiados pela mídia, como o caso de dois jovens, um artesão e um artista plástico, agredidos violentamente demonstram que estamos muito longe de nos encontrarmos nas ruas com tais policiais. Estes casos evidenciam a verdadeira violência policial, a de agentes da lei que em ocorrências não criminosas, mas de averiguação e abordagem, não têm o discernimento necessário e acabam por ferir a integridade física e moral de cidadãos de bem, daquelas pessoas que justamente juraram proteger.

Os jovens estavam, num domingo de manhã, andando de skate na rua em que moram. Policiais chegaram para atender suposta ocorrência de perturbação de sossego – contravenção, crime de menor potencial ofensivo. Ao abordar os jovens, não tiveram o cuidado de ver quem eram. Simplesmente por entenderem-se ofendidos, iniciaram odiável agressão que culminou com lesões gravíssimas. O estardalhaço foi tamanho que os vizinhos saíram às respectivas janelas e gritaram para que os policiais parassem.

Diante disto, os agentes da lei jogaram ambos os jovens na viatura e os levaram para o batalhão da PM local, em vez do distrito. E lá os deixaram, até que a esposa de um dos jovens fosse reclamar na delegacia. Aí os policiais apresentaram ocorrência de desacato e lesões corporais contra eles mesmos. Todavia, quando os jovens foram apresentados à autoridade policial, esta percebendo a gravidade das lesões, determinou que os jovens fossem submetidos a exame de corpo de delito. Agora o caso está sob investigação na Corregedoria da PM e no Ministério Público.

Uma vida pode ser perdida por uma ação impensada, a qual nem sequer merece ser qualificada de trabalho policial. A única esperança é que a apuração do caso possa levar justiça a esses jovens e sirva como marco de mudanças para a concretização de uma instituição policial na qual seus agentes tenham a consciência da importante função que realizam.

 

 

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