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Na primeira chacina do ano, sete morrem na periferia de São Paulo
Fonte: O Globo - Rio de Janeiro
06.01.2013

Delegado afirma que DJ assassinado dizia ter testemunhado execução

Marcelle Ribeiro
marcelle@sp.oglobo.com.br
Leonardo Guandeline
leonardo.guandeline@sp.oglobo.com.br

SÃO PAULO - Sete pessoas morreram e duas ficaram feridas em um bar no bairro Campo Limpo, na Zona Sul de São Paulo, na noite de sexta-feira, na primeira chacina da cidade neste ano. Cinco pessoas morreram na hora, entre elas Laércio de Souza Grimas, o DJ Lah, do grupo Conexão do Morro, cujas letras falam do cotidiano de violência na periferia de São Paulo. Os feridos foram socorridos, mas dois não resistiram e morreram no hospital. Testemunhas ouvidas informalmente pela polícia contaram que os criminosos teriam chegado gritando "polícia, polícia".
Os autores da chacina chegaram encapuzados por volta de 23h20m e fizeram dezenas de disparos. Todas as vítimas foram atingidas dentro do bar, que fica na Rua Reverendo Peixoto da Silva. Um carro estacionado em frente ao estabelecimento, que pertencia a uma das vítimas, foi perfurado por balas.
- Eles desceram do carro encapuzados, gritando "polícia, polícia", e já começaram a disparar. Logo em seguida já chegou um monte de viatura (sic), recolheram as cápsulas do chão e fecharam o local. Não deixaram ninguém entrar - contou uma testemunha ouvida pela TV Globo, que não quis se identificar.
informações contraditórias
Pela manhã, a Secretaria de Segurança Pública chegou a informar que entre as vítimas da chacina estava uma pessoa que teria testemunhado outro crime na região, o assassinato do servente Paulo Batista do Nascimento, executado por policiais militares há dois meses. Ela teria participado da gravação de imagens que foram exibidas pelo "Fantástico".
Na gravação, feita em 10 de novembro, o servente aparece sendo retirado de uma casa, agredido e levado para perto de um carro de polícia. O som de um disparo foi captado nas filmagens, mas, neste momento, a pessoa que gravou se esconde. Em seguida, a câmera mostra a movimentação de policiais na rua. A divulgação das imagens levou à prisão cinco policiais militares.
O local da chacina fica a menos de dez metros de onde o servente foi abordado pela PM. No fim da tarde, a secretaria voltou atrás e divulgou nota informando que não há indícios de que uma das vítimas teria mesmo participado das gravações e atribuiu a informação a "hipóteses aventadas por moradores do bairro". De acordo com o delegado Luiz Maurício de Souza Blazeck, o DJ Lah, que morreu na chacina, dizia que teria participado da gravação de imagens da execução do servente de obras. Na nota, a secretaria afirma que as investigações "prosseguem com intensidade com vistas ao esclarecimento do crime".
Perguntado sobre a possibilidade de a chacina ter sido cometida por PMs, o governador Geraldo Alckmin disse ontem que nenhuma hipótese será descartada:
- É precipitado fazermos qualquer afirmação, mas nenhuma hipótese vai ser descartada. Tudo vai ser investigado com profundidade e rigor até prendermos os criminosos. A polícia está trabalhando com vários indícios.
A chacina está sendo investigada pelo Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa da Polícia Civil (DHPP). Além do DJ Lah, morreram Brunno de Cássio Cassiano Souza, de 17 anos; Carlos Alexandre Claudino da Silva, de 27; Ricardo Genoíno da Silva, de 39; João Batista Pereira de Almeida, de 34; Edilson Lima Pereira Santos, de 27; e Almando Salgado dos Santos Junior, de 41.
Amigos do DJ Lah, que era casado e pai de quatro filhos, fizeram apelos na internet e nas redes sociais para coletar dinheiro para pagar o enterro dele.
A morte do rapper causou comoção nas redes sociais. No Facebook, a página dos Racionais MC's diz que a violência "que tomou conta de São Paulo intensamente desde junho de 2012... levou mais um irmão do hip hop". No Twitter, Mano Brown afirmou: "Para cada um assassinado, mil nascerão!" No local do crime, foi colocada uma cruz e uma faixa: "Queremos paz".
No mês passado, o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, recomendou a extinção de termos como "autos de resistência" e "resistência seguida de morte" nos boletins de ocorrência referentes a mortes em confrontos com a polícia. A resolução foi publicada no último dia 21 de dezembro. O estado de São Paulo registrou, de janeiro a setembro de 2012, um total de 372 mortos em supostos confrontos com a polícia. No mesmo período, 96 policiais militares morreram.
No segundo semestre de 2012, São Paulo enfrentou uma onda de criminalidade. De janeiro ao fim de novembro, a capital registrou 1.327 homicídios, 24,13% a mais do que em todo o ano de 2011. A escalada da violência provocou a queda do secretário de Segurança Antonio Ferreira Pinto e fez com que os governos estadual e federal fechassem um acordo de cooperação para conter a criminalidade. A parceria aconteceu após a troca de farpas entre o ex-secretário Ferreira Pinto e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

 

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