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Cresce número de mortes provocadas pela polícia
Fonte: O Globo - Rio de Janeiro
27.01.2013


Capital registrou 323 óbitos em 2012, contra 230 no ano anterior

SÃO PAULO

Apuração feita pelo GLOBO mostra que pelo menos três homicídios que vitimaram cinco pessoas, desde o segundo semestre de 2012 em Campo Limpo, ocorreram em circunstâncias semelhantes às da primeira chacina do ano naquela região: homens encapuzados encurralam e matam, em atuação típica de grupo de extermínio. Os responsáveis pela investigação do caso admitem que uma série de crimes impunes costuma preceder uma ação como a que resultou na morte de sete pessoas em apenas uma noite.

- Falaram que meu filho estava no lugar errado e na hora errada, e, por isso, foi morto. Mas qual é a hora certa e o lugar certo para se estar? - pergunta Luiz Francisco Magalhães, pai do auxiliar de escritório Pedro Thiago Souza, de 20 anos, morto em outubro por homens encapuzados que desceram de um carro e atiraram a esmo na Rua Monforte, na mesma região da chacina. Ele diz que, até hoje, ninguém bateu na porta de sua casa querendo saber quem era seu filho para investigar sua morte e encontrar os responsáveis.

Mas, na maior cidade do país, a polícia nem sempre mata escondida atrás de toucas ninja. Números, divulgados na última sexta-feira pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, mostram que 323 pessoas foram mortas na cidade de São Paulo em confrontos com policiais militares em serviço no ano passado. Um aumento de 40% em relação a 2011, quando foram registradas 230 mortes. É o maior índice desde 2003, quando houve 434 mortes em confrontos.

- Várias ações vêm sendo feitas. Desde a reformulação dos componentes que fazem parte do currículo de formação policial à orientação para que atirem com o intuito de preservar a vida. Mas são ações pontuais e não são suficientes - diz o pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da USP, Marcelo Batista Nery.

A explosão da letalidade da ação policial transparece nos dados oficiais, mas também na formação de grupos paralelos como os da chacina do dia 4. Para Nery, são casos que decorrem da perda do controle dos agentes por parte da Secretaria de Segurança. Apenas quando há quebra de hierarquia, policiais agem violentamente e por conta própria.
Quando chegou ao Instituo Médio-Legal para reconhecer o corpo do marido, um dos mortos na chacina, uma mulher foi identificada pelos agentes como mais uma "lá da Rua dos Despachos".
- Rua do quê? - perguntou.
- É onde despacharam seis hoje - explicou o funcionário do instituto.

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