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Relação entre população e polícia foi ‘apimentada’ por movimentos sociais
Fonte: Jornal da Cidade - Bauru /SP
17.10.2013

Vitor Oshiro

Não é de hoje que existe uma tensão entre a população – principalmente de bairros periféricos – e a polícia. Porém, além de todo o histórico dessa relação no País e de exemplos de abuso de autoridade que contribuem para isso, um ingrediente contemporâneo pode ter criado mais conflito. As cenas recentes vistas durante ações de movimentos sociais teriam criado um “padrão de reação”.

Quem aponta essa hipótese é o professor de antropologia da Unesp de Bauru, Cláudio Bertolli. Segundo ele, as imagens de confrontos vistas principalmente nas grandes cidades podem ter estimulado as pessoas a não se submeterem de imediato.

Assim, embates como aqueles entre policiais e professores e até as ações dos black blocs (manifestantes mascarados) podem influenciar nas reações contra policiais vistas em Bauru. “A comunidade, mesmo carente, descobre que tem poder”, complementa Bertolli.

Vale destacar que as investidas contra a polícia em Bauru, como a própria corporação afirma, têm uma ligação forte com a criminalidade. Essa característica difere em muito dos movimentos sociais que pipocaram em 2013. “É apenas uma situação contemporânea que pode ter essa influência”, destaca o antropólogo.

Ainda sobre o comportamento conflituoso da população frente aos policiais, ele, porém, não subtrai a importância da “herança” dessa relação. Bertolli tampouco ignora a parcela de culpa dos policiais que agem com excesso e pioram tal relação. “Na história, há vários exemplos de a polícia extrapolando o seu próprio poder. Recentemente, temos o caso Amarildo. A polícia vem tentando se aproximar da população, mostrando que o policial é tão cidadão quanto o indivíduo. Porém, por conta de toda a história e desses exemplos citados, a relação ainda é de conflito”.

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